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Tamanho da cintura pode ter a ver com a disfunção erétil

Em pesquisa, 74% dos homens com cintura larga tinham problema

05/08/2012 10:00

Juliana Cunha / Terra / Folha de São Paulo / Terra

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Foto: Ilustração

O tamanho da cintura, que já é considerado um fator de risco para doenças do coração, também pode indicar a probabilidade de um homem ter disfunções sexuais e urológicas.

A conclusão é de um estudo da Faculdade de Medicina Weill Cornell, nos Estados Unidos.

A pesquisa incluiu 409 homens com idade média de 40 anos. Os participantes foram divididos em três grupos, de acordo com as medidas da cintura: menos de 91 cm, entre 91 cm e 101 cm e mais do que 101 cm.

No grupo mais "largo", 74,5% dos homens disseram ter disfunção erétil. O problema foi relatado por metade dos participantes do grupo de cintura "média" e por 32% dos que tinham medidas abaixo de 91 cm.

Problemas de ejaculação também foram maiores entre os que mediam mais de 101 cm de cintura: foram relatados por 60% dos participantes desse grupo, contra 40% e 21% dos casos relatados pelo grupo do meio e pelo de menor circunferência, respectivamente.

Os pesquisadores não sabem ainda definir os mecanismos que fazem com que o tamanho da cintura influencie a saúde sexual.

No entanto, o coordenador do estudo, o urologista Steven Kaplan, levanta a hipótese de que a gordura abdominal dificulta o fluxo sanguíneo na pélvis e causa alterações hormonais. Esses dois fatores podem levar a dificuldade de ereção e problemas de ejaculação.

Saiba se sua cintura é um risco à saúde

Pegue uma fita métrica e a envolva ao redor de sua cintura - mais exatamente na altura do umbigo. Ficou espantado com o resultado da medida? Então, saiba que uma barriguinha saliente não é apenas algo antiestético, ela também pode ser um sinal de que seu corpo está em perigo.

A relação da gordura abdominal com problemas de saúde não é bem uma notícia nova. Mas um estudo recém-publicado na revista acadêmica New England Journal of Medicine e desenvolvido durante 10 anos com 360 mil pessoas, de nove países, pode ser a prova de que o tamanho da cintura seja mesmo até mais nocivo do que o IMC (o índice de massa corporal) reconhecido internacionalmente para avaliar o grau de obesidade.

Segundo um dos resultados do estudo, há um aumento do risco de morte cada vez que a medida da cintura se amplia em cinco centímetros. Ou seja, comparando duas pessoas com o mesmo IMC, cada cinco centímetros a mais de cintura aumenta em 17% as chances de morte em homens e em 13%, em mulheres.

Mas, afinal, qual a medida considerada perigosa?
A circunferência máxima para homens e mulheres é algo que ainda gera questionamentos no mundo médico. De forma geral, a maioria dos profissionais no Brasil estabelece como limites os 94cm para eles e 88cm para elas.

"As medidas servem para nortear um diagnóstico. Mas não dá para se basear somente nelas e achar que basta perder um centímetro do limite para estar saudável ou ganhá-lo e, assim, passar para o grupo de risco", esclarece o endocrinologista Marcio Mancini, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO).

O certo é que a cintura larga, de acordo com Márcio Mancini, é sim um indicativo claro de que algo não anda bem com a saúde. Por isso, o mais sensato é correr para um consultório para saber se as conseqüências da gordura visceral (aquela que se abriga entre os órgãos na região do abdome) já começaram a surtir efeitos no seu corpo.

Diferente da gordura subcutânea (aquela que se abriga sob a pele e é responsável, entre outros danos, pelo surgimento das dobrinhas, culote e celulite), a gordura visceral produz substâncias que agem contra importantes reguladores do funcionamento do organismo e que podem desencadear doenças.

O acúmulo de gordura na cintura pode afetar, por exemplo, a ação da insulina - e isso é o que explica a crescente taxa de diabetes tipo 2 na população obesa. Aliás, esse e outros desequilíbrios provocados tendem a desencadear o que os médicos chamam de síndrome metabólica.

"O critério para definição da síndrome é a presença de duas ou mais das seguintes alterações: aumento de triglicérides, elevação da pressão arterial, nível de HDL (colesterol bom) baixo e aumento da taxa de glicemia (os níveis de açúcar no sangue)", define a endocrinologista Ana Paula Teni Ragonlia. E, segundo a especialista, o conjunto desses diagnósticos - além da própria gordura que promove o entupimento dos vasos sanguíneos - aumenta drasticamente a probabilidade de doenças cardiovasculares, como o enfarte.

Cinturinha de pilão
A cartilha de qualidade de vida está disponível a todos e só não a segue quem ainda prefere ignorar os efeitos de uma rotina sedentária. O fato é que, se você relaxou e agora só enxerga a famosa "barriga de cerveja" (no caso dos homens) ou aquele corpo em formato de maçã (nas mulheres) tem que arregaçar as mangas e partir para a ação.

"Mudanças nos hábitos alimentares e a prática de atividades físicas são essenciais. E, se a pessoa não demorou muito para decidir combater a gordura abdominal, o quadro de diabetes, por exemplo, pode ser revertido", explica Márcio Mancini, presidente da ABESO.

Por outro lado, o especialista afirma que a situação do coração e dos vasos sangüíneos prejudicados pelo impacto da gordura dificilmente voltam ao normal. Nesse caso, um médico precisa avaliar a situação.

Por isso, além de tratamento para quem já tem a barriga saliente, vale a máxima de que é "melhor prevenir do que remediar". Nesse ponto, se encaixa a necessidade de costumes saudáveis desde a infância.

Não há gordos com mais de 100 anos

"A obesidade infantil atinge de 12 a 15% das crianças no Brasil", alerta o gastroenterologista José Carlos Pareja. E, segundo ele, a partir dos 12 anos se torna cada fez mais difícil combater os quilinhos a mais - e, consequentemente, a gordura abdominal.

Você precisa de mais estímulos para manter um abdome "sequinho"? Então, leia a constatação de Pareja: "Não existe idosos com mais de 100 anos que sejam gordos. As pessoas que atingiram a longevidade, normalmente, mantinham atividades físicas regulares muito acima da média mundial."

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